domingo, 13 de julho de 2008

Da procura incontornável do cheiro

"Quando ele estava fora, era como se eu deixasse de existir. O mundo tornava-se vazio e descolorido. E recordar-me dele tornou-se uma maneira de estar viva. Pensava sobre os nossos momentos juntos, deixando-os crescer na minha cabeça até preencherem as horas e os dias, de tal maneira que me esquecia do mundo lá fora.
O olfacto era a ponta para entrar nesse mundo. Porque os cheiros, e nisso eu acreditava apaixonadamente, começavam no cérebro."
"Estás a ver, depois de te ires embora, o teu cheiro faz-me companhia, quase como se ainda cá estivesses. Isso consola-me. Mas começa a desvanecer-se ao fim de alguns dias. E eu fico a correr pela casa à procura de um cheirinho teu, como uma viciada."


[Até quarta]